Muita gente chega à consulta achando que a lente colocada dentro do olho na cirurgia de catarata é sempre igual. Não é. Cada tipo de lente foi pensado para um jeito de enxergar, e a decisão sobre qual usar depende de três coisas: o que os exames mostram, o formato do seu olho e como você usa a visão na sua rotina.
Este texto explica o que é a lente intraocular, quais são os tipos mais usados e como essa escolha é feita na prática. A ideia é que você chegue à consulta sabendo o que perguntar.
O que é a lente intraocular
A catarata é a perda de transparência do cristalino, a lente natural que fica atrás da pupila e ajuda a focar as imagens. Com o passar dos anos ele embaça, e a visão fica nebulosa, com ofuscamento diante da luz e cores mais apagadas.
Na cirurgia, feita pela técnica de facoemulsificação, esse cristalino opaco é desfeito e retirado por uma incisão de poucos milímetros. No lugar dele entra a lente intraocular, feita de material biocompatível. Ela fica dentro do olho de forma definitiva e, ao contrário de um óculos, não embaça, não risca e não precisa de limpeza. É como trocar a lente de um óculos, só que essa fica dentro do olho.
Os tipos de lente
Monofocal
Foca em uma única distância, na maioria dos casos a de longe. É a opção mais usada. Quem escolhe a monofocal costuma continuar usando óculos para ler, para o celular e para o computador.
Multifocal e de foco estendido
Distribuem o foco entre longe, distância intermediária e perto, o que reduz a dependência de óculos nas tarefas do dia. Pedem um período de adaptação e não são indicadas para todos os olhos: quem tem outras doenças oculares, como problemas na retina, ou olho seco importante, pode não ser candidato. Por isso os exames pesam tanto nessa decisão.
Tórica
Corrige o astigmatismo ao mesmo tempo em que trata a catarata. Existe em versão monofocal e multifocal, e é indicada quando a córnea tem uma curvatura irregular que, sem correção, deixaria a imagem distorcida mesmo depois da cirurgia.
O que todas têm em comum é devolver a transparência que a catarata tirou. A diferença está no que você quer fazer sem óculos depois.
Como a escolha é feita
Os exames. A biometria óptica mede o comprimento do olho e calcula o grau da lente. A topografia corneana e o Pentacam mapeiam a córnea e mostram se existe astigmatismo a corrigir. O OCT avalia a retina, que precisa estar saudável para uma lente multifocal entregar o que promete. Todos esses exames são feitos no mesmo endereço, e você pode ler o que cada um enxerga.
O formato e a saúde do olho. O tamanho do olho, a curvatura da córnea e a presença de outras condições definem o que é possível. O olho seco, por exemplo, é frequente em quem tem catarata e muitas vezes passa despercebido. Tratar o olho seco antes da cirurgia melhora o conforto e a precisão das medidas que definem a lente.
A sua rotina. Você dirige à noite? Lê muito? Passa horas no computador? Faz trabalho manual de precisão? Cada resposta pesa. Uma lente que serve bem para quem dirige de madrugada pode não ser a melhor para quem borda o dia inteiro. É por isso que não vale comparar com a lente do vizinho: cada caso é único.
A expectativa. A consulta é o momento de alinhar o que a lente entrega e o que ela não entrega. Sair da consulta sabendo exatamente o que esperar é parte do resultado.
Tem catarata, ou suspeita, e quer entender qual lente faz sentido para o seu olho? A avaliação e os exames são feitos no Catarata Center.
Um olho de cada vez
Na maioria dos casos, os dois olhos não são operados no mesmo dia. Operar um olho de cada vez garante que, se houver qualquer intercorrência no pós-operatório, o outro olho ainda está protegido. O intervalo entre as cirurgias também permite avaliar o resultado do primeiro olho antes de operar o segundo. Em casos selecionados os dois podem ser operados no mesmo dia, mas essa é uma decisão tomada com critério, olho a olho.
A lente pode ficar opaca?
A catarata não volta, porque a lente artificial não desenvolve catarata. O que pode acontecer em algumas pessoas, meses ou anos depois da cirurgia, é a opacificação de uma película fina que fica atrás da lente, a cápsula posterior. A visão volta a embaçar, e muita gente pensa que a catarata retornou.
Não é a mesma coisa, e o tratamento é simples: a capsulotomia com YAG laser, um procedimento rápido e indolor, feito no consultório, sem internação. Depois dele a transparência volta.
Perguntas frequentes
A lente intraocular é definitiva?
Sim. A lente fica dentro do olho de forma permanente, não embaça, não risca e não precisa de troca ou limpeza. O que pode acontecer, meses ou anos depois, é a opacificação de uma película atrás da lente, tratada com laser em consultório.
Vou ficar sem óculos depois da cirurgia de catarata?
Depende do tipo de lente e das condições do olho. Com a lente monofocal, a maioria das pessoas enxerga bem de longe e usa óculos para perto. Com a multifocal ou de foco estendido, a dependência de óculos diminui, mas o resultado varia de olho para olho e é alinhado na consulta.
Posso escolher a lente sozinho?
A escolha é feita em conjunto. Você conta como usa a visão no dia a dia, os exames mostram o que o seu olho permite e o oftalmologista indica a lente que faz mais sentido para o seu caso.
Quanto tempo dura a cirurgia de catarata?
Entre 15 e 30 minutos, com anestesia em colírio, sem internação. Você volta para casa no mesmo dia, acompanhado. Se quiser saber como é a recuperação, explicamos fase a fase neste outro texto.
Conteúdo informativo do Catarata Center, Hospital de Olhos, Novo Hamburgo, RS. Não substitui a consulta: a indicação de lente e de cirurgia é sempre individual, feita pelo oftalmologista depois dos exames.